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TCC na Era da Informação: Desafios da Psicoterapia Contemporânea

  • techclinpg
  • 2 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Nos últimos anos, vivenciamos uma verdadeira revolução tecnológica e informacional. Smartphones, redes sociais e conteúdos instantâneos transformaram completamente a forma como consumimos informação. Desde o lançamento do iPhone em 2007, passando pela expansão das redes sociais e da internet móvel, chegamos a um ponto em que temos acesso a dados e notícias que seriam inimagináveis há apenas uma década.

Porém, essa abundância de informação trouxe consigo um desafio silencioso: a sobrecarga cognitiva. Esse fenômeno se manifesta como uma mistura de ansiedade, cansaço mental e dificuldade de processar tantas informações. Pensamentos automáticos negativos e distorções cognitivas tornam-se frequentes, e é comum nos sentirmos obrigados a saber tudo ou a nos comparar constantemente com os outros, gerando baixa autoestima e sensação de inadequação.

O problema é intensificado pelo consumo de conteúdos fragmentados, os chamados microconteúdos, que estimulam nossa atenção de forma rápida e superficial. Neuroquimicamente, eles ativam o sistema de dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer, mas com o tempo causam fadiga mental, ansiedade e dificuldade de manter foco em tarefas mais complexas.

Estudos recentes mostram que a exposição contínua a essas informações pode alterar funções cerebrais, especialmente no córtex pré-frontal, responsável por atenção, memória e controle de impulsos. Os efeitos da hiperestimulação digital podem ser comparáveis aos observados em usuários de substâncias como álcool e anfetaminas, reforçando o impacto significativo da era da informação sobre nossa saúde mental.

É nesse cenário que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) se torna essencial. A TCC ajuda a organizar informações e prioridades, identificar crenças disfuncionais e reduzir comportamentos compulsivos, como checagens constantes de notícias e redes sociais. Técnicas como registro de comportamento, prevenção de resposta e lembretes digitais auxiliam no desenvolvimento do autocontrole. Além disso, a prática de mindfulness e atividades prazerosas substituem o estímulo imediato dos microconteúdos, promovendo hábitos mais saudáveis e sustentáveis.

Na TCC, entendemos que nossas crenças centrais sobre nós mesmos, os outros e o futuro moldam nossos comportamentos. Por exemplo, uma pessoa perfeccionista e controladora pode acreditar que deve estar sempre informada, gerando padrões de checagem compulsiva e ansiedade. Já alguém desorganizado pode acreditar que é incapaz de se organizar, resultando em procrastinação e baixa autoconfiança. O papel do psicólogo é identificar essas crenças, apresentar evidências contrárias e auxiliar o paciente a reinterpretar a realidade de forma mais funcional e saudável.

Em um mundo rápido e superficial, o psicólogo oferece um espaço seguro e reflexivo, permitindo que padrões automáticos de comportamento venham à consciência e sejam transformados. Com pequenos progressos diários, reorganização de hábitos e estratégias consistentes, é possível enfrentar a sobrecarga cognitiva, fortalecer a autoconfiança e viver de forma mais equilibrada e consciente na era da informação.


Pedro Augusto Garcia Marini

 
 
 

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